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Democracia dos acordos
Por Sebastián Piñera, presidente eleito do Chile

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Quando os países se enrascam em intermináveis e estéreis lutas fratricidas, terminam por arruinar seu futuro. O Chile o sofreu nos 60 e 70, quando governo e oposição se propuseram destruir-se mutuamente, e o conseguiram. E, de passagem, fizeram ruínas a democracia, a economia, a sã convivência e muitas coisas mais. Quase sem dar-nos conta, a sensatez que tinha caracterizado à política chilena deu passo às paixões extravasadas: o respeito, à intolerância; o diálogo, à violência; a visão de Estado, a frases tão aplaudidas como sem sentido.
A começos dos 90, quando o país enfrentava o desafio de consolidar sua democracia, legitimar a economia social de mercado e conquistar maiores níveis de justiça social, desde Renovação Nacional, chamamos a uma nova relação com o governo que batizamos como "Democracia dos acordos".

Esta permitiu desenvolver confianças mútuas, recuperar a capacidade de diálogo e chegar a acordos fecundos que privilegiavam o muito que nos unia por sobre o que nos diferenciava.

Graças a isso, o Chile teve uma transição pacífica e exemplar que permitiu um dos períodos de maior prosperidade e desenvolvimento em nossa história.

Em que consiste a democracia dos acordos?

Consiste em pôr-nos metas audazes, que unam e não dividam aos chilenos, por trás das quais somemos os compromissos, aportes e vontades de todos.

Em minha opinião estas metas são basicamente cinco: superar a pobreza e as desigualdades excessivas, recuperar a capacidade de crescimento e criação de empregos, começar a ganhar-lhe a batalha à delinqüência e o narcotráfico, e melhorar para valer a qualidade e equidade da saúde e a educação.

Metas desta envergadura requererão de um governo inovador e empreendedor, com vontade de chegar a acordos e respeitoso da oposição.

Mas também de uma oposição que atue sempre com um espírito leal e construtivo.

Em duas palavras, um governo e uma oposição que, desde suas próprias convicções e valores, atuem com a sabedoria necessária para antepor os interesses permanentes do Chile e os chilenos por sobre qualquer outra consideração particular ou partidária. Isto não implica confundir os papéis do governo e a oposição. Pelo contrário, para ter uma política vigorosa e de qualidade é fundamental que cada um cumpra em plenitude a função que lhe é própria: governar no caso do primeiro; fiscalizar com rigor e propor alternativas no caso da segunda.

Mas ao fazê-lo não podemos esquecer que compartilhamos o mesmo objetivo final: que ao Chile e os chilenos lhes vá melhor.

Fonte: Diário “El Mercurio” do Chile.

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