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Um banco de desenvolvimento para América Latina

 

Mensagem do Presidente do Banco Interamericano de DesenvolvimentoLuis Alberto Moreno

 

Recentemente eu li uma nova definição do conceito de relevância, que foi cunhada pelos fundadores de uma eminente empresa americana de tecnologia. Segundo eles, em matéria de busca de informações na Internet a relevância consiste em “obter exatamente o que você quer, mesmo quando não sabe direito do que precisa”.
Foi essa capacidade de antecipar-se às necessidades das pessoas antes que elas próprias possam expressá-las que transformou a Internet no ícone tecnológico de nossa era.

Mas o que significa “relevância” para um banco de desenvolvimento?

Ao longo do ano passado, quando o BID partiu para formar uma nova equipe de administração, ouvi várias vezes essa pergunta, seguida de seu inevitável complemento.

Por que eu deveria trabalhar no BID?

Os candidatos que buscávamos— líderes inovadores nos campos das finanças e do desenvolvimento — não estavam dispostos a aceitar respostas genéricas. Numa época de inédita expansão econômica no mundo em desenvolvimento, esses profissionais estão sendo recrutados com afinco por uma profusão de bancos de investimentos, empresas e firmas de consultoria.

Eles sabem que os bancos de investimento enfrentam um futuro incerto, por obra das mudanças nas demandas dos clientes e da concorrência de fontes de financiamento privadas e oficiais de financiamento. Sabem também que muitas grandes organizações multilaterais não querem ou não podem adaptar-se a essas novas circunstâncias.

Em suma, aqueles que desejávamos contratar exigiam provas cabais de que o BID constitui o lugar mais instigante onde aplicar o seu talento e crescer na profissão.

Por isso, informo com orgulho que em 2007 o BID reuniu uma notável equipe de altos administradores e chefes de divisão. Alguns vinham do próprio BID, e foram promovidos por força de um notável desempenho. Muitos deixaram altos cargos no setor privado. Todos foram atraídos pela oportunidade de contribuir para criar um novo paradigma para as finanças do desenvolvimento.

Esse paradigma começou a ganhar forma em 2007, à medida que púnhamos em prática um ambicioso realinhamento que hoje nos permite oferecer novos produtos financeiros, atendimento mais rápido, assessoria especializada e soluções flexíveis talhadas para as necessidades sempre novas de cada governo e cada empresa.

Ao longo de 2008, recrutaremos até 300 profissionais para ampliar a reserva de talentos do Banco em áreas estratégicas como energia renovável, infra-estrutura, mudança climática, educação, água e saneamento. Muitos desses especialistas irão trabalhar em nossas Representações nos países, onde terão a responsabilidade sem precedentes de gerar novos negócios e, ao mesmo tempo, acompanhar a execução dos projetos em estreito contato com os clientes.

Mediante um recém-simplificado processo de aprovação de projetos, podemos oferecer resultados muito mais depressa do que no passado. Uma estrutura organizacional de base matricial possibilita agora que especialistas e todas as áreas do Banco se unam em torno de equipes dedicadas a projetos para oferecer o necessário know-how.

Esse modelo de negócios sensível e focado no cliente está permitindo ao Banco atender e superar as expectativas dos clientes, mediante projetos criativos, sustentáveis e afinados com as realidades locais. Mas o mais importante, acredito, é que ele nos levará a identificar e prever o que nossos clientes precisarão — no mês que vem, no próximo ano e na década vindoura.

Talvez não façamos isso tão depressa quanto um motor de busca na Internet, mas com certeza tentaremos.

Nossa meta, em termos bem simples, é ser um parceiro imprescindível para os governos e empresas da América Latina e do Caribe, e para instituições internacionais voltadas para a região.

O desempenho financeiro do BID em 2007 mostra que estamos começando a atingir essa meta. No ano passado o Grupo do BID aprovou um recorde de US$9,6 bilhões em novas operações de financiamento (exclusive empréstimos de emergência). Os desembolsos para projetos ascenderam a US$7,6 bilhões, a maior cifra em quatro anos.

Dos três membros do Grupo do BID, o Banco aprovou US$ 9 bilhões em empréstimos em 2007. A Corporação Interamericana de Investimentos, que financia pequenas e médias empresas, aprovou US$470 milhões em financiamentos, o maior montante em sua história. O Fundo Multilateral de Investimentos, principal fonte de assistência técnica para o setor privado e as microempresas na região, aprovou 133 projetos, no total de US$135 milhões, dos quais quase US$100 milhões consistiram em operações não reembolsáveis.

Em 2007, o BID concluiu negociações históricas para proporcionar alívio da dívida a cinco de nossos membros mutuários mais necessitados. O Banco aprovou 100% de alívio da dívida referente aos empréstimos pendentes no fim de 2004 para a Bolívia, a Guiana, o Haiti, Honduras e a Nicarágua, no total de US$ 3,4 bilhões, além de US$ 1 bilhão em pagamentos de juros futuros. A medida deu a esses países uma oportunidade inigualável de redirecionar recursos para programas sociais prioritários.

Durante o ano o Banco empreendeu também uma expansão sem precedentes de empréstimos ao setor privado, aprovando US$2,3 bilhões para 29 projetos, em comparação com US$920 milhões para 20 projetos em 2006. Essa expansão resulta de um novo mandato, emanado de nossa Diretoria Executiva, que permite ao Banco financiar operações muito maiores do setor privado (respeitado o limite de US$400 milhões por projeto) e atuar em áreas antes vedadas, como manufatura, recursos naturais, agronegócios e turismo.

Grande parte dos empréstimos feitos pelo Banco em 2007 concentraram-se em investimentos que ajudarão nossos membros a aprofundar e consolidar os ganhos com a vertical expansão das exportações de produtos primários e o crescente comércio com os novos mercados asiáticos. Melhorar a infra-estrutura é essencial para este objetivo, e a maioria dos financiamentos do ano – US$ 5,7 bilhões no total – destinaram-se a projetos de infra-estrutura e competitividade em áreas como transporte, energia e portos em áreas de exportação intensa.

O combate à pobreza requer remédios de provada eficiência, mas também novas idéias. Em junho de 2007, a Diretoria Executiva do BID aprovou a iniciativa Oportunidades para a Maioria, que ajudará comunidades de baixa renda a fazer parcerias com o setor privado e organizações não governamentais para criar empregos, prestar serviços de qualidade e integrar a maioria dos cidadãos de nossa região ao setor produtivo. A iniciativa buscará sobretudo aumentar a escala de produtos, tecnologias e serviços inovadores que estão solucionando problemas concretos para as pessoas na base da pirâmide econômica.

Reconhecendo a importância vital da segurança energética e da mudança climática para os países da América Latina e do Caribe, em 2007 o BID lançou a Iniciativa de Energia Sustentável e Mudança Climática. Partindo de um empenho de US$20 milhões feito pelo Banco, a SECCI está obtendo rapidamente contribuições de doadores que percebem o extraordinário potencial da região como fonte de energias renováveis e soluções de energia verde. A iniciativa já financiou numerosos estudos de viabilidade e projetos de cooperação técnica, destinados a abrir caminho para indústrias de biocombustíveis e programas de eficiência energética, e recebeu pilhas de solicitações de governos e companhias de toda a região.

Após quatro anos consecutivos de crescimento econômico acima de 4% (alcançando uma média regional de 5,6% em 2007), a América Latina está demonstrando que o crescimento econômico continua a ser um componente essencial no combate à pobreza. A pobreza diminuiu de 36,5% em 2006 para 35,1% em 2007, e a pobreza extrema caiu de 13,4% para 12,7%, graças ao crescimento contínua e à baixa inflação. Este é o mais baixo índice de pobreza visto na região desde a década de 1980. O primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio, reduzir a pobreza extrema à metade de seus níveis de 1990, está agora ao alcance da maioria dos países da região.

Apesar da recente instabilidade nos mercados financeiros internacionais e da projetada desaceleração da economia dos Estados Unidos, as perspectivas para a América Latina e o Caribe são as melhores em décadas. Neste momento fecundo na história da região, considero uma grande honra servir como presidente de um Banco revitalizado, enriquecido por novos talentos e novos objetivos. Aguardamos ansiosamente os desafios do próximo ano.

 

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