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Aprender a arte do impossível em América Latina

 

Bjørn Lomborg, Diretor do Centro de Consenso de Copenhaguen e professor adjunto da Escola de Negócios de Copenhaguen

 

Logo depois de ter sido escolhido o primeiro presidente de esquerda do Uruguai, Tabaré Vazquez declarou:”Temos que reconstruir a partir das limitações do nosso tempo”. Em toda América Latina estão acontecendo reconstruções e transformações. Uma “maré rosada” tem levado a políticos como Vázquez ao centro do cenário e a prantear um desafio aos Estados Unidos e a Europa. As economias de América Latina agora é que estão tendo os bons resultados que não tinham há tempo.

Mas a reconstrução não se faz da noite para o dia. As “limitações” às quais se refere Vázquez são enormes. América Latina esta muito longe de poder competir com uma potencia tipo China ou Índia e contínua tendo a maior diferencia entre ricos e pobres. O dez per cento mais rico da sua povoação ganha quase a metade dos ingressos totais, no entanto que o 10% mais pobre ganha somente o 1.16%. Ao mesmo tempo que o 10% dos países industrializados ganha o 29.1% dos ingressos totais, no entanto que o 10% inferior ganha o 2.5%.

No conjunto de América Latina e o Caribe, uma de cada quatro pessoas sobrevive com menos de dois dólares ao dia. Cinqüenta milhões de pessoas, o equivalente a toda a povoação do Reino Unido, se ajeita com menos de um dólar. Além disso, o 14 % dos habitantes da região carecem de ingressos suficientes para poder pagar a atenção básica de saúde. Existe uma intensa impressão de corrupção e ineficiência, porém, não existe grande confiança publica nas instituições, no entanto que, recentemente, o investimento em infra-estruturas tem se reduzido muito.

Mesmo que América Latina tem a vontade de resolver seus imensos problemas, carece de recursos para resolver todo de uma vez só. É por isso que se precisa de uma visão geral sobre qual seria a utilização mais eficaz dos escassos recursos financeiros de América Latina.

O próximo outubro, o Centro de Consenso de Copenhague, junto com o Banco Interamericano de Desenvolvimento, organizará uma palestra – a Consulta de São Jose – na qual será analisado o que se pode fazer em todo o continente.

Com certeza, a região tem presenciado muitas conferências de boa vontade semelhantes, mas nesta será respondida uma pergunta concreta: se América Latina tivesse 10.000 milhões – por falar numa cifra – de dólares suplementares ao longo dos cinco próximos anos para melhorar o bem estar, ¿Quais projetos dariam os maiores benefícios? ¿Quanto poderia melhorar, se fossem utilizados maior quantidade de fundos em educação, em fazer que a administração publica seja mais eficiente ou em lutar contra a violência e o crime?

Na consulta de São Jose serão examinadas com detalhe essas e outras questões: desde a atenção de saúde até o meio ambiente da região. Uma equipe de 20 expertos economistas especializados na região, procedentes de América Latina e outras partes, avaliará as opções e examinará detidamente os custos e benefícios das soluções propostas.

A equipe se compõe de acadêmicos eminentes, entre outros o economista e Ministro de Fazenda chileno Andrés Velasco, o Secretario Geral Adjunto das Nações Unidas José Antonio Ocampo, o professor da Universidade de Harvard e antigo membro do conselho do Banco Central de Venezuela Ricardo Hausmann e Nancy Birdsall, Presidenta do Centro para o Desenvolvimento Mundial.

Em sessões a porta fechada, esse grupo de peritos confeccionara um listado de prioridades com as soluções mais prometedoras. Para conseguir a participação comunitária e dos futuros dirigentes da região, participarão estudantes de uma das escolas de administração de empresas mais importante da região. Escutarão as intervenções dos expertos sobre a corrupção, a escolarização e o médio ambiente, e aportarão a perspectiva da juventude a suas deliberações.

Atualmente, os encarregados da formulação de políticas e as organizações de ajuda de América Latina gastam os fundos sem a orientação que pode lhe oferecer um conjunto coerente e explicito de opções. A conferencia destaca o desejo da região de bastar-se a si mesma. Vão marcar os problemas que afronta América Latina, mas também – o que é mais importante – suas soluções, ao mesmo tempo que permitira aos encarregados de decidir se centrar na destinação dos fundos aos projetos de maior beneficio.

América Latina esta experimentando uma transformação apaixonante. A Consulta de São Jose pode ajudar a construir um futuro com menos limitações.

 

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