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Especial para a CONLATINGRAF
MERCOSUL e América do Sul toda, hoje

 

Pelo Dr. Carlos “Chacho” Alvarez
Presidente da Comissão de Representantes
Permanentes do MERCOSUL

 

MERCOSUL e AMÉRICA do Sul inteira, atravessam atualmente um momento excepcional como nunca antes tínhamos vivenciado ao longo dos nossos dois séculos de historia. Temos todas as condições para um desenvolvimento autônomo, produtivo e social.

Hoje contamos com um MERCOSUL – núcleo da integração sul-americana -, o qual abrange desde o Caribe até Terra do Fogo e com perspectiva de incorporar novos associados como Bolívia e Equador. Um bloco que concentra mais do 70% do PBI de América do Sul – a sexta economia do planeta -, um espaço geográfico de 270 milhões de habitantes, com uma capacidade industrial e de recursos humanos muito importante.

Somos uma potencia energética, dispomos de uma extraordinária riqueza de recursos naturais , uma grande reserva de água potável e um potencial de biodiversidade que as outras regiões do mundo não têm. Transitamos um contexto econômico internacional favorável, com a presencia de novos atores que demandam os produtos que a região exporta. Todos os países cresceram nestes últimos anos e a perspectiva – apoiada em nossa grão autonomia energética e de recursos naturais, é o fato deste crescimento se manter em mediano e longo prazo.

Acontece também que em toda América do Sul regem os sistemas democráticos, somos uma zona por fora da agenda dos conflitos que padecem outras regiões do planeta, como o terrorismo, os problemas étnicos, as guerras. Além disso, temos – o qual não é um fato menor -, lideranças políticas que compartilham a mesma visão sobre o modelo de desenvolvimento social e produtivo e sobre o papel da nossa região no mundo.

É verdade que também temos problemas. Não podemos esquecer que toda a região vem de uma profunda crise que provocou em alguns países processos de uma verdadeira nova fundação nacional como aconteceu na Bolívia, no Equador e na Venezuela. Em outros, como o Brasil, Uruguai e Argentina, os sistemas políticos suportaram melhor a crise e conseguiram conduzir o novo tempo, marcado por profundas demandas postergadas da população. Isto acaba criando tensão entre as agendas nacionais, marcadas pelas necessidades impostergáveis e urgentes que se deparam os governos, e a agenda da integração, que requer tempos mais longos de consensos e negociações. Essa tensão explica conflitos como o da Bolívia e o Brasil pelo gás, ou o da Argentina e o Uruguai pelas plantas de celulose.

Mas também a integração é uma oportunidade para resolver os problemas que se deparam os países atualmente. Por exemplo, no marco regional se podem resolver os problemas de abastecimento energético, fator chave para o crescimento econômico de cada país, se podem resolver as necessidades da infra-estrutura, ou se podem superar os déficits de produção de conhecimento e de tecnologia, mediante uma estratégia regional que melhore os recursos, os quais isoladamente são insuficientes.

Existe a visão – muitas vezes interessada – a qual coloca o acento nas dificuldades e conflitos conjunturais, com o qual pretende desacreditar o processo de integração. Coloca o acento nos matizes da política exterior dos paises, sem ver que a integração é um processo a longo prazo entre Estados Nacionais e não precisa que os presidentes estejam de acordo em todo a cada momento. Não acontece, nem aconteceu no Velho Continente, após meio século de construção da União Européia, aonde os principais associados tiveram diferentes posturas à respeito da Guerra do Iraque e no alinhamento com os EEUU.

Sem cair num falso otimismo negando os problemas, sabemos a verdade objetiva é que o processo de integração esta construído sobre bases sólidas, e isto teve seu correlato na velocidade de construção do MERCOSUL neste ultimo ano, o que o consolidou como bloco cuja importância é reconhecida internacionalmente.

No institucional progrediram muito, com a instalação do Parlamento do MERCOSUL (PARLASUL), o qual implica um compromisso maior dos partidos e dos sistemas políticos na construção regional. Criaram-se novos organismos, como o Instituto Social para encarar planos em conjunto para resolver algumas das questões pendentes numa região na qual existe à maior desigualdade do mundo em termos de distribuição do ingresso; o Observatório da Democracia, o Instituto do MERCOSUL de Formação para quadros dirigentes. Avançou-se no Código Aduaneiro, se esta trabalhando em planos de integração produtiva para construir cadeias de valor integradas entre os países, também se esta edificando o Banco do Sul para ajudar ao financiamento do desenvolvimento e da infra-estrutura física que precisa a região para integrar suas economias e potenciar o crescimento. Concretizaram à integração dos sistemas previsionais que hoje permitem ter uma aposentadoria MERCOSUL, foram celebrados inumeráveis acordos em matéria jurídica, de saúde, educação, etc.

Temos um horizonte de grandes possibilidades. O desafio é achar a maneira em que cada país coloque suas vantagens competitivas para cooperar e não competir e consolidar um espaço regional que seja fonte de crescimento. Uma plataforma bem sucedida e competitiva para nossa inserção na economia mundial. Mas também temos que ter em conta que a integração deveria abranger muito mais além da esfera do comercial. Deve conter as expectativas legitimas das nossas sociedades. As pessoas têm que achar na sua vida cotidiana e de um jeito palpável os benefícios da construção regional, em quanto as melhoras dos seus níveis de educação, emprego, saúde, trabalho e possibilidades de progresso. Esse é o segredo da integração.

 

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