A partir do 2008: Uma nova gramática para as pessoas que falam espanhol no mundo inteiro. |
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As academias da Língua aprovaram uma nova gramática para todas as pessoas que falam espanhol no mundo inteiro em Medellín, o domingo 25 de março, perante os Reis de Espanha. Trata-se de uma histórica apertura de Espanha ao falar latino-americano.
No momento mais solene da aprovação da Nova Gramática da Língua Espanhola – renovada pela primeira vez em 76 anos – a qual foi realizada ontem na cidade colombiana de Medellín, assemelhou-se a um tradicional ato escolar, do jeito que os alunos de quarta série juram à bandeira: no entanto o rei Juan Carlos mencionava o nome de cada um dos representantes das 22 Academias da Língua Espanhola, sentados a um lado do cenário do Teatro Metropolitano aonde foi feita à cerimônia, os acadêmicos ficavam em pé ao pronunciarem o “Sim” protocolar e simbólico, depois da pergunta: Aprovam a Nova Gramática?, existem mais de dez anos de reuniões, debates e dissertações lingüísticas as quais acabaram transformando este ato num dos momentos mais revolucionários da nossa língua.
No fim, depois de séculos de paternalismo de Espanha nos ditados das normas e regras que dominam a língua que falam mais de 400 milhões de pessoas, se teve em conta a diversidade lingüística dos países de América Latina. Por exemplo: se até agora somente o correto ao disser “detrás de mi”, a partir de agora também o será disser “detrás mio”, tão utilizado no Rio da Prata.
Protocolo e segurança: essas foram as duas palavras mais repetidas entre os assistentes ao ato de aprovação da Nova Gramática. Presidida pelos Reis da Espanha e o presidente colombiano Álvaro Uribe, acompanhados pelos ministros de ambos países, todos e cada um dos acadêmicos, decanos de universidades, funcionários, escritores, editores e jornalistas convidados chegaram ao lugar com escolta policial e um código de barras para poder entrar ao Teatro Metropolitano. O clima, no entanto, foi de alegria pelo dever cumprido: assim como foi dito, a ultima gramática apareceu em 1931. O diretor da Real Academia Espanhola e presidente da Associação de Academias da Língua, Victor García de la Concha, foi quem se encarregou no seu discurso de repassar o longo caminho recorrido desde 1913, quando foi criada a Real Academia, até esta Nova Gramática que confirma, segundo suas palavras, que a “pátria do espanhol é cumprida e aberta”. O rei destacou que a Gramática “foi feita entre todos e para todos, é um esforço intelectual e acadêmico chamado a ser a pedra angular com a qual redobrar a forca da nossa língua na era da informação”.
Ao acabar a cerimônia de feche deste Congresso da Associação de Academias da Língua Espanhola – preâmbulo do IV Congresso da Língua que começa amanha em Cartagena de Índias com uma homenagem a Gabriel Garcia Márquez - realizou-se um almoço no Centro de Convenções Praza Maior. Ali o Jornal Clarin perguntou ao presidente da Academia Argentina de Letras, Pedro Luis Barcia, sobre o significado desta nova gramática: “quebramos com a centralização que a gramática sempre teve. Passamos do epicentro ao policentro ao habilitar todas as Academias como referentes do espanhol. Atingimos finalmente uma representação real no mapa do idioma”.
Efetivamente, esta Gramática se diferencia das anteriores na atenção que presta ao espanhol de América. Preparada conjuntamente pelas 22 Academias, apresenta um mapa da unidade e da variedade do espanhol no âmbito da gramática, e ilustra as construções com exemplos que procedem de diversas fontes. O texto completo será publicado em 2008, e terá ao redor de dois mil paginas, 55 capítulos, do qual ontem adiantaram o 11º, referido ao Gênero (ver Questões..) também vai se editado um Tratado, mais ágil e resumido, destinado aos estudantes e leitores não especializados.